Saindo do armário

Vivência minha: como é ser bissexual?

No momento em que eu me percebi não hétero, veio um mundo novo de possibilidades na minha pequena cabeça de 12 anos. Aconteceu um clássico na minha vida, me apaixonei pela minha melhor amiga. Quem nunca? Ela também estava se descobrindo, então comecei a pesquisar esse universo pra ajudá-la e até mesmo me entender.

Mas, espera lá! Eu posso gostar de homem e mulher? O que são não binários? Trans é diferente de travesti? Foram tantas perguntas, algumas delas eu me questiono até hoje, mas isso faz parte da caminhada do autoconhecimento.

Depois de terminar um relacionamento heterossexual longo, me vi num mar cheio de peixes desconhecidos, e tudo veio à tona novamente. Apesar das dúvidas, eu estava me sentindo muito bem com a caixinha do bissexual.
Até que veio o grande choque, fui arrancada do armário para meus pais. É, eu nunca tive a chance de contar do meu jeito, eles ouviram direto da boca de outras pessoas. Me ver nessa posição de ter que enfrentar meus grandes medos sem estar preparada mexeu demais comigo, mais do que eu estava esperando. Mas são coisas que fazem parte da caminhada individual de cada uma.

O tempo foi passando e eu percebi que não adiantava mais esconder de ninguém o que eu sentia, afinal, se meus pais já sabiam, eu não precisava sair contando parente por parente em todo churrasco de domingo, era só jogar no instagram e aceitava quem quisesse, se fazia de cego quem não queria aceitar.

Durante todo esse tempo, ouvi da minha mãe que eu não precisava me expor pra todo mundo algo que era tão pessoal, como a minha sexualidade. Pois é, mas foi exatamente essa fala dela que me fez sentir necessidade de mostrar pro mundo como eu sou verdadeiramente, sem nenhuma máscara e sem medo. No dia da visibilidade desse ano eu postei uma foto deixando pra lá de explícito a minha orientação. Recebi muitas mensagens de pessoas falando que sentem orgulho de me ver expondo isso, de conhecidos falando que encontraram em mim um conforto para falar do assunto.

Estar no Cássia e me sentir abraçada por meninas que mal me conhecem é uma sensação de coração quentinho inexplicável. Ver nelas uma família que me entende (diferente da de sangue que por muitas vezes tenta me silenciar) foi uma das melhores coisas que aconteceu no meu 2020.
É manas, nunca desistam de lutar pelo que vocês acreditam. Quando a coisa começa a caminhar para frente a felicidade é imensa!


Thais Domingues
Estudante de Relações Públicas

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