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Mulheres sapabis que fizeram história

No dia 28 de junho celebra-se o dia do orgulho LGBTI+. O Coletivo Cássia relembra histórias de mulheres lésbicas e bissexuais, que através de suas trajetórias expressam luta, resistência, amor e orgulho em vivenciarem suas sexualidades.

A breve biografia da vida dessas quatro mulheres sapabis nos remete a importância de valorizarmos a luta das mulheres dentro da comunidade LGBTI+ e de nos orgulharmos por existirem mulheres que nos representam nas mais variadas esferas da vida.

CÁSSIA ELLER
Cássia Rejane Eller, mulher, carioca, cantora, compositora, multi-instrumentista e bissexual, a inspiração para o nome desse Coletivo. Foi uma famosa artista brasileira e uma das maiores representantes do MPB e rock brasileiro dos anos 90, a qual ganhou prêmios e foi reconhecida como uma das maiores vozes da música brasileira. Cássia teve cinco álbuns publicados em sua carreira, com sua voz grave e estilo eclético representou mulheres e LGBTI+ na música numa época em que tudo era mais difícil.

Assumidamente bissexual, Cássia Eller viveu até os 39 anos e em 14 anos de relacionamento com Maria Eugênia Vieira Martins, a qual a acompanhou até o fim de sua vida em 2001. Cássia e Maria Eugênia gostariam de ter tido um casamento legalizado, porém não foi possível e em janeiro de 2002, após a morte da cantora, pela primeira vez a justiça brasileira concedeu a uma mulher a guarda provisória do filho de sua companheira, Chicão, filho de Cássia.

CONCEIÇÃO EVARISTO
Maria da Conceição Evaristo de Brito, mulher, negra, mineira, escritora, romancista, poeta e contista, é um dos maiores nomes da literatura brasileira hoje. Vencedora do Prêmio Jabuti 2015 e Personalidade do Ano em 2019, Conceição é também pesquisadora na área de literatura racial, com foco nas vivências de mulheres negras, através de seus textos a escritora denuncia opressões raciais e de gênero, bem como traz reflexões acerca das profundas desigualdades raciais brasileiras.

Bissexual, Conceição escreveu também a respeito das interseccionalidades entre racismo, machismo, LGBTIfobia e hiperssexualização dos corpos femininos. Em seu conto “Isaltina Campo Belo” constrói uma personagem complexa com questionamentos de identidade de gênero e a concepção de uma sexualidade fora da norma.

AUDRE LORDE
Audrey Geraldine Lorde, ficou conhecida como Audre Lorde, ela foi uma mulher, negra, lésbica, feminista, mãe e poeta guerreira. Nasceu em 1932 em Nova Iorque, nos Estados Unidos da união de imigrantes afro-caribenhos e viveu 58 anos de muita luta, resistência, amor e palavras.

Nos anos 50 e 60 participou ativamente das lutas pelos direitos civis sendo uma das primeiras feministas a abordar a necessidade de interseccionar as lutas das mulheres, considerando racismo, luta de classes e questões de gênero. Em seus textos discorreu sobre amor, maternidade, descoberta sexual, maternidade, doenças, política, direitos civis e feminismo. Temáticas essas que permearam sua trajetória de luta e orgulho, oferecendo às mulheres ferramentas para o combate ao preconceito e à discriminação.

“Minha sexualidade é parte integrante do que eu sou, e minha poesia é produto da interseção entre mim e meus mundos.”

ANNE LISTER
Anne Lister foi proprietária de terras, alpinista, viajante, aventureira política e lésbica. Uma mulher que não combinava com as convenções inglesas do século 19, Lister não performou a feminilidade, era considerada uma “mulher macho incontrolável” e por esse motivo foi enviada para um internato aos 7 anos por sua mãe. Lá as professoras temiam que influenciasse as demais alunas com seu comportamento, sendo então confinada no sótão e vivendo em isolamento quase total. Nestes momentos de solidão, seu diário se tornou seu confidente, abrigando seus pensamentos, desejos e amores.

Eliza Raine foi sua primeira experiência sexual aos 15 anos e em seus diários deixava registradas palavras secretas para disfarçar seus sentimentos mais íntimos. Raine foi seu primeiro amor, porém não único. Lister era uma mulher inteligente e aventureira que ansiava viver livre e assim se permitiu, mesmo que às escondidas, a viver amores sem se importar com o que a sociedade almejava para ela.

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