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Mães e lésbicas – Relato 2

Meu nome é Paula, tenho 36 anos e sou mãe do João de 1 ano e 2 meses.

Me descobri lésbica aos 19 anos, a amizade com a minha vizinha virou um grande amor e ficamos juntas por 8 difíceis anos. Venho de uma família religiosa (testemunhas de Jeová) então foi muito difícil para eles aceitarem. Não conseguimos contornar os conflitos e com 21 anos ela me convidou a me retirar da sua casa e eu fui.

Mas me virei, estudei, trabalhei e conquistei uma vida digna e hoje sou professora da rede pública. Depois que esse meu primeiro relacionamento acabou eu tive outros, até mesmo heterossexuais, e nestes é que a vontadinha de ser mãe aparecia. Sempre gostei de crianças!

Com o passar dos anos fui me relacionando só com mulheres e esse sonho foi ficando adormecido, não via a possibilidade de ser mãe fora de um relacionamento heterossexual.

Com 30 anos e após 8 meses de tentativas de IC (Inseminação Caseira) com um amigo gay que só ia ser doador, descobri que tinha obstrução nas trompas.

Quem me deu o diagnóstico foi uma médica desumana e irresponsável que no consultório me disse que era irreversível, que eu já poderia entrar na fila da adoção se quisesse ser mãe. Aquilo me deixou em choque, chorei por horas pois nunca tinha considerado a possibilidade de ser estéril.

Tentei levar a situação numa boa, mas os dias ficaram pesados, o trabalho era um sacrifício e conviver com as pessoas era um fardo! Entrei numa depressão fudida (me desculpem o palavrão). Depois de uns 5 meses tive uma crise e minha psiquiatra sugeriu a internação… eu estava alheia à tudo e não demonstrava qualquer reação.

Porém aqueles 30 dias de internação foram as melhores coisas que me aconteceram, me tratei e percebi que precisava ser forte pra passar por mais uma fase difícil da vida.

Com a depressão controlada, procurei outro ginecologista, um anjo chamado Luís Guilherme, contei toda a minha história e ele me disse que iria fazer tudo que cabia à medicina pra me ajudar, mas que se não fosse possível eu teria um filho gerado no meu coração. Fizemos vários exames e eu poderia fazer uma cirurgia para reversão, não era 100% garantido mas iríamos tentar!

No sábado antes do procedimento fui até um terreiro de umbanda pedir proteção aos guias, tomei um passe bem demorado de um caboclo.

Na segunda fui ao hospital e fiz a suposta desobstrução. Quando o médico veio me dar alta, ele disse que eu tinha passado o dia no hospital à toa porque ele me revirou do avesso e eu não tinha nada!

É que eu tinha sido curada 2 dias antes!!!

Eu já estava fazendo uma poupança para fazer uma inseminação artificial com um doador anônimo, caso minha cirurgia desse certo. Mas o destino brinca com as pessoas, e bem inesperadamente, com umas bebidinhas na cabeça, um amigo gay de mais de 10 anos, que já estava com o nome na lista da adoção, sugere como seria se tivéssemos um filho juntos! Eu achei graça na hora, mas depois de algum tempo amadurecemos a ideia e optamos por fazer a coparentalidade. Isso foi em novembro e combinamos que faríamos a primeira tentativa após o Carnaval.

O Valter não acreditava na Inseminação Caseira e só iríamos fazer a técnica até juntar o valor da Inseminação Artificial.

Gente, tentar engravidar é muito complicado! Se vocês não são um casal, a IC pode ser constrangedora!

Mas na quarta tentativa nosso milagre veio!!! É uma sensação indescritível receber um positivo, só perde para o que você sente quando vê a carinha do ETzinho hahaha

Aos trancos e barrancos estou vivendo a maior aventura do mundo que é a maternidade.

É cansativo, trabalhoso, caro, mas acima de tudo é um amor que não cabe no peito!!! Não lembro da minha existência sem o Joãozinho, parece que ele sempre existiu e me completou como pessoa.

Essa é a minha história.

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