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Mães e lésbicas – Relato 1

Fomos convidadas a escrever um texto sobre maternidade. Pense o tamanho do desafio! Principalmente porque por aqui a maternidade é em dobro. Somos uma dupla de mulheres que se amam e que se abriram para viver a experiência de ser mãe! Na verdade ainda estamos provando as roupas desse novo papel que nos foi designado pelo universo de nosso deus e nossa deusa!

Poderíamos deixar fluir palavras e provavelmente pousaria na tela de onde escrevemos muitas questões e leituras políticas do que é viver a maternidade lésbica no Brasil de hoje… fácil não é! Mas dentro de nossa casa, com amigxs, com a família, e nos coletivos que vivemos está transbordando afeto e é isso o que nos importa agora.

Nosso filho chegou em nossa vida como um presente do universo, envolto por muito respeito, e cumplicidade. Uma inseminação caseira, ritualizada por uma atmosfera de muito amor, que deu certo. Simples? Sim! Foi de primeira? Sim! Mágico, né? Sabíamos o momento exato de que o óvulo estaria pronto, escutando profundamente a intuição. Dias depois o teste de farmácia nos avisava que a aventura estava apenas começando. Foi lindo… e na hora um pouco assustador, confessamos!

Enfim, dia 15 de novembro de 2018, nascia em nosso quarto, no aconchego de nosso apê, com o apoio de nossa doula e de enfermeiras obstétricas incríveis, nosso Noah!. Aquele que um dia nos chamará de mãe(s). Será que uma será mãe e a outra mamãe? Uma mami e a outra mama? Uma mãe Má e a outra mãe Thay? Ainda não sabemos, até porque, por enquanto, a palavra mais elaborada é o “aguu”!

Muitas pessoas pensam e falam: “deve ser muito mais fácil por serem duas mulheres, duas mães”. Será? A potência causada pela maternidade é em dobro! A sensibilidade de serem duas mulheres é duplamente vivida a flor da pele! A entrega para o filho é sem meio-termo! São duas mães! Isso é lindo! Mas isso também é muito foda!

Para nós tem sido intenso, maravilhoso, profundo! Tem nos colocado a “parar tudo” vez ou outra para olharmos nos olhos uma da outra, lembrarmos que somos parceiras nessa jornada, que amamos loucamente nosso filho e que nos amamos, muito!

Viveremos nosso primeiro Dia das Mães oficial mesmo sabendo que Dia das Mães é todo dia. Toda noite. E em especial, toda madrugada.

Maeve, Thayana e Noah.

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