Saindo do Armário | Em busca do pote de ouro

Ilustração por @ninazambiassi

Nesse lance de não se encaixar no padrão, vamos buscando outras referências, outras formas de viabilizar nossas existências. Aos poucos vamos tentando entender o que nos faz felizes, já que nem sempre cabemos nas caixinhas que nos colocam desde tão cedo.

Assim vamos quebrando, nos permitindo e entendendo o que estamos realmente buscando nessa vida, até que um dia encontramos! Ou não…

EM BUSCA DO POTE DE OURO

Pensei em escrever sobre a primeira vez que morei com uma mulher aos 19, sobre ela ser 20 anos mais velha, sobre ela ter falecido. Ou ainda, sobre como demorou 10 anos para minha mãe falar sobre o assunto. Mas hoje não quero histórias tristes. Eu quero falar sobre como ser lésbica mudou quem eu sou. Ou, como já ouvi numa música, eu já era o que sou agora, mas agora gosto de ser. Eu era apenas uma garota sem graça e sem personalidade, num colégio careta. Talvez por isso não tenha tantas recordações agradáveis da época. Foi uma fase que eu só queria que passasse logo. Tentava desesperadamente seguir um padrão de estilo e comportamento que não encaixava, não me moldava e sempre ficava alguma coisa pra fora. E aí veio o cursinho. Pessoas descoladas. The L World. Primeira vez que vi duas mulheres se beijando. Maconha. Álcool. E nessa vibe rock’n’roll eu me apaixonei por uma amiga. E ela por mim. E eu me permiti viver essa história. A garota chata do ensino médio agora andava por aí de mãos dadas com outra menina na rua. Passavam as tardes deitadas na pracinha. Nas escadas de emergência do shopping. No museu. No ônibus. Nos parques. It’s a kind of magic. Senti tanto orgulho de mim mesma, eu não encontrei o pote de ouro, eu encontrei o arco-íris.


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