Saindo do armário | De bela e recatada e do lar a ativista sapatão do Cássia

Ilustração por @ninazambiassi

Hoje é uma linda história de família com início em cidade de interior, passando por filhos, descobertas, a clássica distância sapatã, o medo se assumir e com final feliz! (mals pelo spoiler)

Sempre ouvimos que o amor dos pais é incondicional, mas e o dos filhos? Como é a experiência de sair do armário pras pessoas que você educou, formou e ensinou? Vem conhecer mais uma das histórias que estamos reunindo pra vocês verem que os desafios são inúmeros, mas nós estamos juntas. Sempre.

DE BELA E RECATADA E DO LAR A ATIVISTA SAPATÃO DO CÁSSIA

Casada aos 19 anos, quem sou eu? Simplesmente sigo o fluxo, amor, inexperiência, dois jovens, brigas , relacionamento abusivo, mas também muito amor e parceria, construímos uma vida profissional de muito sucesso. Chega primeiro filho e eu sozinha, longe da família. Me apego ao meu bebê, razão da minha vida.

Seis anos se passam, um casamento acabado, uma viagem, um exame: você está grávida! Nasce meu ‘cachinhos de ouro’. Meus dois filhos são minha força para não cair em depressão. Mais seis anos se passam e me vejo sozinha: viúva.

Meu pai me abraça e diz:

“Agora é só você minha filha, você é forte”.

Nesse momento tão difícil as pessoas vêm e te dão um escudo, uma espada, um chicote, mão de fogo e você, mãe, se transforma em Mulher Maravilha, Capitã Marvel. Luta, trabalho, dois filhos. Amo meus filhos, mas preciso viver, aí minha mãe me acolhe e diz:

“Vai minha filha, você precisa se divertir”.

A primeira mulher aparece, no primeiro beijo, sexo maravilhoso, orgasmos. A vida muda de sentido. Porém vem o medo de me assumir numa cidade de 30 mil habitantes e ter que ouvir: ‘a viúva é lésbica’, ‘Pega mulheres’.

Dois anos e meio se passaram e eu no armário.

Numa sala de bate papo da Uol: paixão nas primeiras palavras. Ema mulher de Curitiba. Por que tão longe? Porque és sapatão. Uma viagem pra Itália para encontrar o amor que para mais longe foi, pois só 400km não bastavam, tinham que ser 12 mil para conseguir a carteira de motorista do caminhão.

Volto decidida: vou me assumir! Amo e quero que o mundo saiba que amo essa mulher.

Minha maior preocupação eram meus dois filhos. Se eles não aceitassem, eu desistiria e renunciaria ao meu próprio desejo. Angústia, medo, vergonha, mas não dava mais para viver na mentira, eu precisava ser quem eu era, não estava inteira. Como falar, o que falar, não existe receita é somente ter coragem:

“Ela não é minha amiga é minha namorada”.

Meu filho mais velho me olha e fala:

“Eu já sabia mamãe. E eu te amo.

Que alívio! Que felicidade! Agora nada mais me importa, tenho forças para enfrentar tudo e todos.

Aos poucos com a convivência com em nossa casa meu ‘cachinho de ouro’ foi assimilando, a criança enxerga o amor e no sofá assistindo filme ele pega nossas mãos e nos une como dizendo: eu sei mãe!

Sou mãe, sou sapatão, hoje sou inteira, sou mais forte e muito feliz.


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