Saindo do armário | Do mundo virtual para a vida real

Ilustração por @ninazambiassi

Juntamos aqui histórias de mulheres lésbicas e bissexuais que saíram do armário pra mostrar pra nós mesmas que esse é, sim, um momento marcante. Tenha sido leve ou pesado, com amor, abraços, silêncio ou lágrimas, reaproximações ou distanciamentos, essa é uma oportunidade de contar e ressignificar esses episódios. Afinal quem nunca passou por isso?

Nós, sendo mulheres lésbicas ou bissexuais, muitas vezes nos desesperamos quando chega a hora de nos assumirmos pra alguém. Junto com isso, tem aquela sensação de que a cada novo emprego, grupo de amigos ou mudança de contexto teremos que sair do armário mais uma vez. 

Essas histórias compartilhadas são para entendermos que não estamos sozinhas, tem mais milhares de mulheres passando pelos mesmos sentimentos. Assim podemos nos fortalecer e quem sabe até nos inspirar a abrir as portas dos nossos armários devagarinho ou chutando forte, como cada uma sentir que deve fazer. Afinal cada história é absolutamente pessoal e intransferível e faz ou fará parte da história maior da jornada da vida de cada uma de nós.

Vem rir e chorar com a gente!


Ilustração por @ninazambiassi
DO MUNDO VIRTUAL PRA VIDA REAL

Há alguns anos conheci uma amiga pela internet, que abriu um mundo de possibilidades pra mim. Conversávamos todos os dias por meses, nos víamos por vídeo e ficamos bastante íntimas.

No começo do mesmo ano tive experiências que me fizeram repensar quem eu era e a confusão durou até conhecer ela. Vivenciei um pouco da cultura dessa amiga e percebi que essas eram descobertas sobre a minha sexualidade.

Em um dos papos acabei revelando que talvez pudesse gostar de meninas. Ela, também sendo lésbica, ficou maravilhada por eu ter compartilhado, já me alertando pra importância e a necessidade de me assumir caso fosse. Via como o bicho-papão.

Até que chegou o dia da festa de uma amiga, em que foram quase todas as minhas outras. Minha ilustre webcolega achou que seria o dia perfeito pra contar. Achou não, tinha certeza.

A noite foi passando e eu sendo pressionada cada vez mais, quase suando frio sentada na cadeira, enquanto todo mundo dançava, 16 anos e zero álcool. Resolvi agir, peguei duas delas pelas mãos e finalmente fui revelar o segredo. Mas simplesmente não consegui, congelei. Pedi um minuto pra me sentar numa escada escondida que tinha na casa, abri meu celular e mandei uma mensagem ~em inglês~ dizendo que achava ser lésbica.

Foi um dos momentos mais marcantes pra mim, porque elas vieram correndo me abraçar, sorriso largo no rosto, dizendo que tava tudo bem. Felizes por eu ter feito, provavelmente porque já sabiam. E esconder isso só traz dor.

Mais tarde fomos pra cozinha e elas me fizeram as perguntas mais absurdas, coisas que nem tinha me perguntado ainda. E assim nós continuamos, como se nada tivesse mudado. Porque realmente não tinha. Mas foi um momento que fez toda a diferença pra mim.


* Compartilha sua história com a gente também!
É só enviar por e-mail para coletivocassia@gmail.com.br com o título ‘Saindo do Armário’

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *